março 27, 2007

Teoria da Conspiração

E mais um dia se passou na terra do Nunca (mais me vou embora). Se o trabalho estivesse a correr bem era um estimulo mas parece que cada vez que damos um passo em frente acabamos num buraco maior do que aquele de onde acabamos de sair. Após uma semana de inevitáveis atrasos no começo dos testes, começamos finalmente a testar, apenas para darmos com uma falha do sistema.

"Porreiro!" - dizem voçes. "É para isso que te pagam" - podem também dizer e isso é tudo verdade e eu ficaria feliz e até daria pulos de alegria se na realidade recebesse mais €€ por cada erro que descobrisse e pelo trabalho extra que cada erro me traz.

Outra dura realidade que parece encaixar na teoria da conspiração é quando o dia está calmo e a correr sem problemas e sem qualquer stress. Quando olhas para o relógio e é 11:45, ou 17:30 e pensas "Está quase na hora!". Ainda não acabaste de o pensar e ouves o telefone tocar (ou uma mensagem no ecra do computador)e pronto. Já está! Já te entalaram! Surgiu algum assunto que algum caramelo acha que é urgente e tem de ser tratado imediatamente. E lá se vai o almoço ou a saída, conforme o caso.

Não consigo perceber. Não só nos entregam as coisas a 5min de nos irmos embora como depois ainda dão a entender que aquilo é muito importante e que tem de estar pronto no dia seguinte. É nessas alturas que tenho vontade de perguntar: "Se é assim tão importante porque não mo deste mais cedo para eu o fazer com calma?" mas fico-me por " Faço isso amanha logo que chegar, não te preocupes." O que não me deixa de fazer sentir mal, porque, apesar de já ter feito o meu trabalho e o meu horário estar comprido, parece que estou a pedir desculpa por me estar a ir embora.

Se o caso em apreço for a saída, a situação complica-se. Porque aparentemente, parece ser um problema exclusivo de quem não usa o carro particular para vir trabalhar. E nessa situação, se tentas explicar que não podes ficar porque, de outro modo, perdes o autocarro ainda tens de ouvir alguém comentar, como se fossemos algum bicho estranho - "Então, porque não vens de carro?" É nesse momento que a conversa muda de nível e tenho de explicar à mente iluminada que não venho de carro porque, apesar de o ter, acho que a utilização do carro para vir trabalhar não se justifica quando existem alternativas.

Nesta altura, normalmente, essa pessoa sente-se na obrigação de se justificar: "É mais rápido vir de carro." ou "Sai-me mais barato vir de carro do que de transportes públicos". Se a primeira, em determinados casos é verdade, a segunda raramente é (para não dizer nunca). É óbvio que, por vir de transportes, poupo em dinheiro mas perco de outra forma. Assim, pelo menos, sinto que faço alguma coisa ecológica, social e económicamente correcta.

A conversa normalmente continua comigo a contrapor que dificilmente ele poupa mais dinheiro se usar o carro do que se vier de transportes. E aqui chego a uma conclusão: A maioria das pessoas não faz ideia dos custos do passe mensal dos transportes. E esta conclusão parece ir na linha duma outra: A maioria das pessoas usa o transporte pessoal como forma de chegar ao trabalho por comodismo.

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