dezembro 21, 2007

Provérbios VI


Costumo achar que o que é nacional é bom (sem qualquer tipo de nacionalismo radical ou publicidade à marca) e normalmente melhor que estrangeiro. O provérbio que se segue é uma das (muitas) excepções.

Não sei qual dos dois surgiu primeiro. Talvez o nosso, puxando um pouco a sardinha à nossa brasa e por termos 700 anos de história em comparação com os 300 do nosso país irmão (sempre detestei esta expressão).

Mas aqui ficam os dois para vosso deleite.
  • "Quem nasceu para burro nunca chega a cavalo." Versão portuguesa;
  • "Quem nasce para lagartixa não chega a jacaré." Versão Brasileira.
É um dos ditados que mais gosto. Lembrei-me dele à uns dias quando numa discussão caseira sobre o que fazer com o prémio do Euro-Milhões, um de nós teve uma reacção de pobre: "Eu comprava uma casa nova, mudava-me para lá temporariamente enquanto fazia obras nesta. Depois das obras acabarem, mudava-me de volta e vendia a casa!". A minha reacção foi: "É mesmo pensamento de Pobre! Quem nasce para lagartixa, não chega a jacaré!"


Natal e Ano Novo


Com o aproximar do Natal, chegam também os desejos de Feliz Natal e Bom Ano Novo. Especialmente de pessoas que normalmente nada dissem durante o Ano todo (O velho). Deixa sempre aquela impressão que o Novo será diferente e que as pessoas serão mais próximas... mas será que alguma coisa mudará?

Eu prefiro achar que sim.

A todos, um Bom Natal e Feliz Ano Novo.

dezembro 20, 2007

Provérbios V


Uma Andorinha não faz a Primavera

agosto 08, 2007

Comboios e Aviões

Sem querer que os aviões se tornem um tema recorrente neste blog ou mesmo padrão de comparação, não posso deixar de comentar algo que tenho reparado.

Na nossa santa terrinha, os serviço ferroviário é considerado um sistema algo pobre, atirado para ultimo plano e usado quase só em ultima alternativa. O mesmo não se passa aqui, em terras da Elisabete. Os comboios são (ou pelo menos procuram ser) o transporte interno, para grandes distancias, por excelência. São tão importantes para eles que lhe tentam fazer uma aproximação ao que é viajar de avião. O condutor, seguindo a imagem do comandante no avião, antes de iniciar a viagem dirige-se aos passageiros a dar as boas vindas, a explicar qual vai ser o percurso do comboio e ainda as horas de chegada. Aparte disso só falta mesmo indicar a diferença horária entre o ponto de partida e de chegada. Depois dá ainda especial importância aos procedimentos que todos os passageiros devem fazer no caso de emergência. Como não existe o risco de cairmos sobre o mar não há, por baixos dos bancos, coletes salva-vidas. Eu verifiquei! Também não há hospedei... desculpem, assistentes de bordo a fazer a demonstração do procedimento de segurança ou a vender os produtos tax-free mas elas passeiam-se a vender comes e bebes. Felizmente que ainda não começaram a pedir para fazer check-in com antecedência, declarar a bagagens de grandes dimensões e outras daquelas entropias todas que tornam as viagens de avião tão chatas.

Com o aumento das medidas de segurança nos aeroportos e os atrasos que eles causam aos passageiros, deu ao sistema ferroviário margem para implementar todas estas "mariquices" que são, na minha concepção ingénue e provavelmente ignorante no assunto, desnecessárias. Será que o sistema ferroviário se sente que desmistificado e rebaixado a um estatuto que sente que não é digno da sua importância?

Não sei. Mas não consigo deixar de sentir que e algo para "Inglês ver"... e eles como o são vêem. Talvez assim sintam que o dinheiro que gastam esteja a valer a pena. Sim, porque como não podia deixar de ser neste pais, o preços de uma viagem não e propriamente barata. Não vou sequer referir o preço de uma viagem de comboio. Deixo aqui uma pergunta a quem quiser tentar adivinhar. Quanto acham que custa uma viagem comboio (ida e volta) de Londres a Bristol? Como referência, Bristol está a cerca de 200km de Londres. Não vale investigar na internet... isso e batota!!! Dêem um palpite. Não há prémio por acertarem nem penalização por falharem por isso a batota não leva a nada :)


P.S.: Como se tem tornado habito escrever algum texto minimamente bem escrito é complicado. Tudo porque estes tipos não sabem o que são acentos e isso dificulta, o que é já por si difícil, ainda mais. Enfim, um destes dias tenho que rever as v
árias entradas que fiz entretanto.

julho 25, 2007

Promoção


Finalmente fui promovido. Deixei o cargo de "Ass Scratcher" para passar a ser um "Expert Monitor Watcher", como podem ver no meu perfil. Isto é que é subir na vida.

Nota: Lembrar de, quando tiver acesso a um PC em que a configuração do teclado aceita acentos, corrigir esta entrada. A correcção ortográfica do FireFox faz maravilhas mas não faz milagres.

julho 17, 2007

Aeroporto de Lisboa


Não sendo uma das pessoas mais viajadas que conheço tenho tido, nos últimos dois anos, uma quota parte significativa de viagens de avião. No meu emprego anterior tive a sorte de fazer uma série de vezes à Alemanha em trabalho e
no actual, durante os próximos meses, vou andar a viajar entre Lisboa e Londres todos os quinze dias. Estas viagens permitiram-me ver e experimentar algumas histórias que se passam dentro dos aeroportos. Algumas com piada outras nem tanto.

A última situação engraçada (agora, porque na altura não achei nenhuma piada) passou-se na última sexta-feira.

Tinha eu acabado de aterrar em Lisboa, vindo de Londres no voo da TP357 (se não estou em erro) da TAP que sai, supostamente às 18:20 de Heathrow. Coisa rara e nunca antes vista, fui a primeira pessoa a chegar aos guichet's e a quarta a ser atendida, visto que um casal que trazia um bébé de colo passou à frente. Pensei que devia estar a ser protegido por algum santinho. Era Milagre, só podia. Mas ainda faltava a parte mais demorada de todas, razão pela qual nunca me preocupo em me despachar mais rápido na validação de identidade, a recolha da bagagem.

Fui a primeira pessoa a chegar ao tapete, o casal andava à procura dum carrinho para transportar as malas e só chegou depois. Olhei para o ecrã do tapete onde a bagagem do meu voo iria sair que dizia qualquer coisa do género "TP375 Londres/Heathrow: Primeira Mala 21:15". Olhei para o relógio: "20:58". Com a minha mais pessimista previsão pensei. "Porreiro. Estou em casa às 22h." Dava 30 para a minha mala sair e 15mim para o taxi até casa. Tinha visto na aterragem que a 2º circular estava a andar bem (uma das pequenas vantagens do aeroporto estar no meio da cidade. Não sei se é contabilizada no estudo de conservação do aeroporto).

No ecra do tapete aparecia a mensagem a indicar que a bagagem do voo vindo de Zurique seria também sairia neste tabuleiro.

O tabuleiro estava parado, pelo que me sentei na beira e recomecei a ler o livro que vinha a ler no avião. Reparei na enorme quantidade de pessoas à espera para ser atendida no Balcão dos Perdidos e Achados da Ground-Force (empresa responsável por trazer e levar a bagagem dos e para aviões da TAP, entre outras companhias). Não sei porque mas achei que estava tudo normal apesar, e se calhar por isso mesmo, de ser sexta-feira 13.

Passada a hora da primeira mala, nenhuma mala ainda tinha aparecido. "Nada de estranho" pensei eu. "Estamos no aeroporto de Lisboa. Nunca nada parte/chega à hora planeada, nem as bagagens." Um pouco mais de tempo passou e o tabuleiro começou a andar. "Demorou mas aí vêm!" ingenuamente pensei.

A primeira mala passou e quando olho para a etiqueta que vinha na mala, reparo - Zurique. "Mas então?! As malas de Zurique já estão a chegar?! E as do meu voo?!" Olho em volta e vejo que a maioria das caras que vi no avião ainda ali estavam. Meto conversa com menina que estava ao meu lado à espera de bagagem e comentamos o curioso da situação. Ela vai ver o monitor e comenta que a indicação do nosso voo já desapareceu. "Então não temos direito a bagagem?! Ficou retida em Londres?! Será que é mais uma das que vai ser enviada para a Italia para ser processada?!"

Finalmente o cansaço devido à falta de informação e das malas instalou-se e foi contactado um dos funcionários da Ground-Force (só falhou por ter sido tão tarde). Que segundo as informações que tinha, o processamento de malas estava a decorrer sem problemas e não havia até ao momento nenhum atraso. A única coisa que poderia imaginar era que as malas tivessem ficado em Londres(?!) mas ia contactar o serviço a pedir informações.

Passado uns minutos veio a informação que as malas (todas, sem excepção) estavam ainda no avião. Ninguém se tinha lembrado de as descarregar. 1 Reclamação por escrito (só para ficar no registo) e alguns minutos depois lá apareceu a minha mala. Inteira.

Vistas a horas, eram 22:15. Pensava eu que a essa hora já estaria a jantar em casa depois dos beijinhos de saudades.

Enfim, queremos nós um aeroporto novo quando não damos conta do pequeno que temos. :S

abril 20, 2007

Os luxos deviam vir com manual de instruções ou Porque é que eu não nasci para ter luxos.


Estas questões surgiram-me no seguimento da minha recente viagem de trabalho ao Paquistão.

Quis o destino, sorte, acaso, ou outro agente externo que decide a nossa vida, que não fosse possível arranjar voos até Islamabad em classe económica. Como a minha ida era completamente incontornável quer do ponto de vista da ida como do ponto de vista da data o mais barato que se arranjou foi a ligação até Londres em Executiva e de Londres até Islamabad em primeira Classe. Não me perguntei quem quererá ir assim tanto para Islamabad mas o voo ia cheio. Mas já lá chegamos.

Se a viagem em Executiva, àparte de algumas mariquices, é só mais confortável do que luxuosa - Alguns minutos depois de entrarmos no avião dão-nos um paninho quente para nos limparmos e refrescarmos Os bancos são de uma qualidade ligeiramente superior aos da classe económica a que estou habituado, tem-se mais espaço para as pernas mas tambem nada de mais. Continua-se com o problema do rebatimento dos bancos.

Estando os bancos de trás ocupados, o rebater os bancos incomoda sempre a pessoa que está atrás. A comida é servida com talheres de metal e copo de vidro. Juntamente com a comida vem uns chocolatinhos a acompanhar e mais umas séries de mariquices. Sinceramente acho que a diferença entre a executiva e a económica em voos de curta duração não vale a pena, o mesmo não posso dizer duma viagem de longa duração, especialmente se for feito em Primeira Classe.

Comecando com as recepções no Aeroporto. As companhias aéreas disponibilizam umas salas de estar - chamadas Lounges - para os seus clientes com bilhetes de classe superior. Se a Lounge do aeroporto de Lisboa era confortável, sossegada e relaxante não se pode comparação com a Lounge de Primeira Classe em Londres. Desde criados a passear com vinhos (algo que não bebo e por isso não posso criticar a qualidade. Podiam dizer: "Dá Deus nozes a quem não tem dentes"), aperitivos, bolos e bolinhos, tudo à discrição. Tinha tambem um balcão onde se podiam pedir refeições completas, igualmente à discrição. Aliás nada naquela sala tinha preço... vinha tudo incluído no preço do bilhete de avião.

Ambas as salas avisavam os passageiros quando as portas de embarque iniciavam a entrada dos passageiros para reduzir o tempo de espera. Neste aspecto achei que a sala de estar na Portela fez um melhor serviço, porque a forma como fui avisado foi mais discreta e pessoal... além disso a menina era mais engraçada. :)

Ambas as salas disponibilizavam acesso sem fios à internet mas confesso que não experimentei nenhuma delas.

Se a sala de estar era assim o voo, que apanhei em Londres em direcção a Islamabad, era outro nivel completamente diferente. O avião onde fui era um Boeing 747/400 (Jumbo Jet) que consegue transportar uma quantidade enorme de pessoas nas mais variadas categorias. Desde económica, passando pela executiva até à primeira classe. Para as classes superiores disponibilizavam um balcão exclusivo para o embarque (para não misturarem com os demais). Ao entrarmos no avião éramos levados ao lugar por um dos assistentes de bordo. O meu lugar era um dos mais dianteiros do avião com uma cadeira completamente rebativel ao ponto de se transformar numa cama completa - mas isto só experimentei mais tarde. Tinha um ecra de televisão só para mim com cerca de 30 cm de diagonal, um comando para a televisão e outro para controlar a cadeira/cama.

Entretanto, poucos segundos depois, estava eu ainda de pé junto à cadeira, ainda a tentar tirar o casaco quando surgiu um assistente de bordo, que se apresentou e disse que seria um dos assistentes que nos iria servir durante o voo. Pendurou-me o casaco no armário e perguntou-me se eu queria um pijama para vestir.

Aqui confesso que o meu queixo ia saindo das articulações. Acho que devo ter ficado a olhar com ar de parvo para ele. Esperava muita coisa mas aquilo não. Lá agradeci e disse que não e de seguida ele perguntou-se se eu desejava alguma coisa para beber. Relembro que não estava no avião à mais de 1min. Normalmente as bebidas nunca são servidas antes do avião estar no ar. Ali, ainda o avião não estava cheio já me estavam a servir bebidas. Pedi um suma de maça (mariquinhas...). Ahhh a propósito, experimentei um sumo de tomate na sala de espera em Londres, jurei para nunca mais! Blahhhhhh

Continuando, lá me sentei, ajustei o cinto e preparei-me para passar umas horinhas sentado naquela cadeira/cama. Brinquei um pouco com a cadeira (Encosto lombar para a frente - zzzzzzzzte - encosto lombar para cima - zzzzzzzzte - para a esquerda, direita, todos os sentidos e direcções. Encosto de cabeça para cima e para baixo. Achei que era demais estar a tirar fotografias por isso não há provas alem do cartão de embarque. Sorry.

Pouco tempo depois lá surgiu a minha bebida e um pratinho de cacauetes. Passado uns largos minutos, já eu tinha descoberto que o ecra já estava a emitir uns programinhas para passar o teu tempo, o comandante ou alguém no seu lugar deu o aviso que estavam com atraso no carregamento das malas e que deveria ainda deveriam demorar mais uns 20min e poderiamos levantar voo. Lá fui vendo TV e ouvindo musica através duns auscultadores todos XPTO que eles distribuiram que ajudavam a cancelar o ruido (e que realmente funcionavam), quando começamos a andar.

Em fila indiana, uns aviões atrás doutros, lá fomos andando em direcção à pista de aterragem (eu queria usar algo como pista de alevantagem, mas acho que não existe). Quando chegou a nossa vez, tentei olhar por uma das escotilha que tinha uma vista ligeiramente inviesada para parte da frente do avião e tentar ver a pista. Não dava para ver nada pelo que me conformei a encostar-me e sentir a acelaração do bicho. É impressionante... e bastante.

O voo demorou aproximadamente 8h, com os atrasos que, segundo o piloto, nos foram impostos pelo controlo aéreo russo. Nesse tempo todo, que não dormi, tentei de tudo. Vi uns dois filmes recentes completos... não os teria ido ver ao cinema mas já que ali estavam, e não tinha nada melhor para fazer, aproveitei.

A hora das refeições foram, para quem como eu que está habituado à classe económica, muito diferentes. O jantar foi servido com menu e tudo. Escolhi as entradas, o prato principal, o acompamento, a sobremesa e a bebida, tudo "à la carte". Chegada a hora de dormir as luzes são diminuidas e são distribuidos, a quem deseje, cobertores para dormir. Como eu ainda estava no fuso horário de Lisboa não consegui dormir às 20h da noite (no fuso horario onde o avião estava já eram 0h), pelo que passei a noite (de viagem) em branco. À hora do pequeno almoço (de acordo com o fuso horário), um pequeno almoço à inglesa, foi servido.

Ao entrarmos no Paquistão, fomos avisados que o governo Paquistanês não permitia fotos aereas do território, pelo que nos pediam que não o fizéssemos (será que nunca ouviram falar do Google Maps?!). Ao aproximarmo-nos da pista, a tripulação andou a pedir a todos os passageiros que se apressassem a colocarem os cintos porque não era permitido fazer o pedido de aterragem à torre de controlo sem que todos os passageiros estivessem sentado e em segurança. Por este motivo se não estivessemos assim quando fosse feito o pedido teríamos de esperar mais 45 minutos no ar à espera da próxima vaga para aterrar (Quem diria que o Aeroporto de Islamabad é tão concorrido que as slots vagas de aterragem são tão raras).

Depois da aterragem ainda demoramos qualquer coisa como 45 minutos até desembarcar. Porquê?! Porque a aterragem é no mesmo sentido que o levantar voo e o único acesso é logo no inicio da pista, onde o avião toca no solo ao aterrar (ou começa a acelarar no levantar voo). Mais uns minutos á espera do carrinho com a escada e estava finalmente fora do avião.

Seguiu-se a viagem de autocarro até ao terminal e a verificação de identidade que, ao contrário do que estava à espera, foi rápida e sem problemas. Passei à fase de espera da bagagem, que aqui conseguiu ser quase tão boa como em Lisboa (vamos nivelar por baixo). Quase uma hora depois consegui a minha mala e resolvi enfrentar o exterior. Tinha sido combinado com o meu hotel, a viagem entre o aeroporto e o hotel, pelo que só tinha de encontrar o quiosque. Atravessei as portas do aeroporto em direcção à rua e foi confrontado com uma confusão imensa. Estão a ver as chegadas na Portela? Pois é parecido mas em vez de ter uma rampa de descida e zona claramente definida como saída, têm-se um quadrado de 3x3m em frente à porta sem ninguém e em redor centenas de pessoas todas à espera de algum familiar ou amigo que irá sair por aquela mesma porta, sabe-se lá quando. Lá dei com o corredor por onde as pessoas pareciam estar a conseguir atravessar o magote de gente e segui por ele fora. Apercebi-me duma placa com o nome do meu Hotel segurada por homem e fiz-lhe sinal. Esperei mais uns minutos pelo condutor da carrinha que nos ia levar ao Hotel e quando ele chegou segui-o (mais outro passageiro que entretanto surgiu) em direcção ao parque de estacionamento.

O parque de estacionamente é completamente indiscritivel. No mesmo espaço e na mesma faixa de rodagem (a propósito - eles, como boa antiga colónia britânica, conduzem à esquerda) circulavam (não ao mesmo tempo mas só porque a fisica não deixa porque por vontade deles até dava) carros, motas, bicicletas, pessoas, bagagens. Tudo à base do buzina para aqui, escosta ali, aperta mais desse lado, não te chegues ainda aquilo ia andando. Devagarinho mas iamos. Atravessamos o estacionamento todo com a bagagem a reboque até à carrinha, entramos, e começamos a andar (a saída era a meio do estacionamento). Nas palavras do outro passageiro - "An organized Caos!"

Demoramos mais meia hora até ao hotel. Fiz o check-in e fui até ao quarto. Pensei "Amanha, que ainda vai ser hoje, vejo o resto do quarto. Agora vou é dormir!" e pronto. Enfim a primeira parte da aventura estava terminada. Faltava o trabalho todo.

março 27, 2007

Teoria da Conspiração

E mais um dia se passou na terra do Nunca (mais me vou embora). Se o trabalho estivesse a correr bem era um estimulo mas parece que cada vez que damos um passo em frente acabamos num buraco maior do que aquele de onde acabamos de sair. Após uma semana de inevitáveis atrasos no começo dos testes, começamos finalmente a testar, apenas para darmos com uma falha do sistema.

"Porreiro!" - dizem voçes. "É para isso que te pagam" - podem também dizer e isso é tudo verdade e eu ficaria feliz e até daria pulos de alegria se na realidade recebesse mais €€ por cada erro que descobrisse e pelo trabalho extra que cada erro me traz.

Outra dura realidade que parece encaixar na teoria da conspiração é quando o dia está calmo e a correr sem problemas e sem qualquer stress. Quando olhas para o relógio e é 11:45, ou 17:30 e pensas "Está quase na hora!". Ainda não acabaste de o pensar e ouves o telefone tocar (ou uma mensagem no ecra do computador)e pronto. Já está! Já te entalaram! Surgiu algum assunto que algum caramelo acha que é urgente e tem de ser tratado imediatamente. E lá se vai o almoço ou a saída, conforme o caso.

Não consigo perceber. Não só nos entregam as coisas a 5min de nos irmos embora como depois ainda dão a entender que aquilo é muito importante e que tem de estar pronto no dia seguinte. É nessas alturas que tenho vontade de perguntar: "Se é assim tão importante porque não mo deste mais cedo para eu o fazer com calma?" mas fico-me por " Faço isso amanha logo que chegar, não te preocupes." O que não me deixa de fazer sentir mal, porque, apesar de já ter feito o meu trabalho e o meu horário estar comprido, parece que estou a pedir desculpa por me estar a ir embora.

Se o caso em apreço for a saída, a situação complica-se. Porque aparentemente, parece ser um problema exclusivo de quem não usa o carro particular para vir trabalhar. E nessa situação, se tentas explicar que não podes ficar porque, de outro modo, perdes o autocarro ainda tens de ouvir alguém comentar, como se fossemos algum bicho estranho - "Então, porque não vens de carro?" É nesse momento que a conversa muda de nível e tenho de explicar à mente iluminada que não venho de carro porque, apesar de o ter, acho que a utilização do carro para vir trabalhar não se justifica quando existem alternativas.

Nesta altura, normalmente, essa pessoa sente-se na obrigação de se justificar: "É mais rápido vir de carro." ou "Sai-me mais barato vir de carro do que de transportes públicos". Se a primeira, em determinados casos é verdade, a segunda raramente é (para não dizer nunca). É óbvio que, por vir de transportes, poupo em dinheiro mas perco de outra forma. Assim, pelo menos, sinto que faço alguma coisa ecológica, social e económicamente correcta.

A conversa normalmente continua comigo a contrapor que dificilmente ele poupa mais dinheiro se usar o carro do que se vier de transportes. E aqui chego a uma conclusão: A maioria das pessoas não faz ideia dos custos do passe mensal dos transportes. E esta conclusão parece ir na linha duma outra: A maioria das pessoas usa o transporte pessoal como forma de chegar ao trabalho por comodismo.

janeiro 19, 2007

Origem IV: David


David: Significa predilecto, amado e indica uma pessoa que aproveita todas as oportunidades de sucesso que surgem mostrando competência e dedicação. Sente-se muito atraído pelas aventuras amorosas, mas procura acima de tudo ser um bom chefe de família. Do hebraico Dawid - Davi, "amado, respeitado".

Provérbios IV


"Ao menino e ao borracho, mete Deus a mão por baixo"

janeiro 16, 2007

Chico-Espertismo ou Comportamentos Civis de Terceiro Mundo a quem aspira ao Primeiro - Parte I

De entre alguns dos grupos que populam o nosso povo, destaco alguns. Os que acham que temos a capacidade de ser o maior povo do mundo (mania das grandezas), os convencidos que somos a porcaria da terra (derrotistas), os que acham que somos uns pobrezinhos (coitadinhos), os que acreditam piamente que a culpa é dos americanos (Anti-Americanos) e o que acham que é castigo de Deus.

Cada um deles defende que o problema de Portugal tem uma origem bem distinta. O problema de Portugal nas suas várias vertentes (que não consigo sequer atingir a mais pequena parte) têm origem em nós próprios. Vejamos o pequeno exemplo do código da estrada.

Segundo me lembro (e não devo errar por muito), o código da estrada, estipula limites de velocidade para a circulação nos vários tipos de estradas. Mas quem o cumpre?! Ninguém (Eu incluído). É necessário que sejam criados radares de velocidade para inibir o comportamento típico dos condutores para estes cumprirem o estipulado no código. Porque esta dupla necessidade?!

Mais uma vez, se bem me lembro, o código diferencia a estrada - zona de circulação dos veículos automóveis - do vulgo "passeio" - zona de circulação dos peões (pedestres). Mas devo estar obviamente errado. Ou isso, ou no distrito de Lisboa existe uma excepção a esta regra do código. Isto porque os condutores Lisboetas (não vou generalizar, mas até podia) acham que os passeios são todos zonas de estacionamento privilegiado.

A razão por trás destes comportamentos (e de muitos outros nas mais variadas faces de Portugal) - acredito eu - além do comodismo que atravessa toda a sociedade (desde o funcionário público, ao primeiro-ministro e presidente da república, passando pelo trabalhador liberal ao por conta-de-outrem) é a nossa natural aversão às regras e a irresistível capacidade de não as cumprir. Nada sabe melhor que dizer à boca cheia no café em frente a amigos e desconhecidos que fui de Lisboa ao Algarve em 1h30m, que o carro nunca foi abaixo dos 150km/h, que conseguiu enganar o fisco, que não paga as multas. E nada sabe melhor que se sentir um herói porque o fazer!

Se forem consultados sobre porque o fazem, a resposta será: "A culpa é do estado"," do governo", "do partido X", "ou Y", "que o clube Z faz o mesmo.", "Burro seria não o fazer!", "Porque não ?! Todos o fazem"… e por aí fora. A principal razão, nunca apresentada é: "Faço-o porque não consigo cumprir regras nem gosto de reconhecer autoridade."

E a autoridade?! Perguntam vocês e bem. Essa não gosta de exercer a autoridade. Compreensivelmente, visto que e cada vez mais a tem menos. Quando a impõe, é o "ai meu Deus que me estão a agredir. Que estão a fazer uma caça às multas e estão a violar os meus direitos!! Que é uma caça às bruxas É o um complô" E o estado, outra figura de autoridade, o que faz?! Está mais preocupado com os interesses do partido que o rege no momento e age concordantemente. Protege os coitadinhos que "estão a ser agredidos" E assim se perpetuam comportamentos.

E, pelo que diz a história, este comportamento não é de hoje. Os romanos já o sabiam. Segundo rezam os registos, um romano ao estudar a região proferiu a seguinte conclusão: "Estranho povo este, Não se governa, nem se deixa governar". E com muita razão, por isso acho que pertenço a outro grupo. O do "Temos o que merecemos!!!"

Não me entendam mal, Eu sou um deles. Tenho alguns destes comportamentos. Embora moderado, sou um deles. Gosto muito do meu Portugal e por isso é que não me conformo com a nossa sina. Está nas nossas mãos mudar isto e andar com isto para a frente... se ao menos deixássemos de tentar ser mais espertos que os outros.

Já me sinto bem melhor…. Já posso retomar o trabalho. Não resolve mas desabafo…. E amanha faço o mesmo.

janeiro 15, 2007

Ahhhh Tão bom...


Mais uma semana sem visitas!!! Este "blog" é um sucesso!!

Se calhar para isso contribui até a minha fraca (inexistente) assiduidade de escrita. Mas se o preço a pagar for esse não me parece mau de todo.

E com esta me fico, com a a certeza, que as minhas pretensões, só devido a esta última publicação, foram goradas.