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julho 17, 2007

Aeroporto de Lisboa


Não sendo uma das pessoas mais viajadas que conheço tenho tido, nos últimos dois anos, uma quota parte significativa de viagens de avião. No meu emprego anterior tive a sorte de fazer uma série de vezes à Alemanha em trabalho e
no actual, durante os próximos meses, vou andar a viajar entre Lisboa e Londres todos os quinze dias. Estas viagens permitiram-me ver e experimentar algumas histórias que se passam dentro dos aeroportos. Algumas com piada outras nem tanto.

A última situação engraçada (agora, porque na altura não achei nenhuma piada) passou-se na última sexta-feira.

Tinha eu acabado de aterrar em Lisboa, vindo de Londres no voo da TP357 (se não estou em erro) da TAP que sai, supostamente às 18:20 de Heathrow. Coisa rara e nunca antes vista, fui a primeira pessoa a chegar aos guichet's e a quarta a ser atendida, visto que um casal que trazia um bébé de colo passou à frente. Pensei que devia estar a ser protegido por algum santinho. Era Milagre, só podia. Mas ainda faltava a parte mais demorada de todas, razão pela qual nunca me preocupo em me despachar mais rápido na validação de identidade, a recolha da bagagem.

Fui a primeira pessoa a chegar ao tapete, o casal andava à procura dum carrinho para transportar as malas e só chegou depois. Olhei para o ecrã do tapete onde a bagagem do meu voo iria sair que dizia qualquer coisa do género "TP375 Londres/Heathrow: Primeira Mala 21:15". Olhei para o relógio: "20:58". Com a minha mais pessimista previsão pensei. "Porreiro. Estou em casa às 22h." Dava 30 para a minha mala sair e 15mim para o taxi até casa. Tinha visto na aterragem que a 2º circular estava a andar bem (uma das pequenas vantagens do aeroporto estar no meio da cidade. Não sei se é contabilizada no estudo de conservação do aeroporto).

No ecra do tapete aparecia a mensagem a indicar que a bagagem do voo vindo de Zurique seria também sairia neste tabuleiro.

O tabuleiro estava parado, pelo que me sentei na beira e recomecei a ler o livro que vinha a ler no avião. Reparei na enorme quantidade de pessoas à espera para ser atendida no Balcão dos Perdidos e Achados da Ground-Force (empresa responsável por trazer e levar a bagagem dos e para aviões da TAP, entre outras companhias). Não sei porque mas achei que estava tudo normal apesar, e se calhar por isso mesmo, de ser sexta-feira 13.

Passada a hora da primeira mala, nenhuma mala ainda tinha aparecido. "Nada de estranho" pensei eu. "Estamos no aeroporto de Lisboa. Nunca nada parte/chega à hora planeada, nem as bagagens." Um pouco mais de tempo passou e o tabuleiro começou a andar. "Demorou mas aí vêm!" ingenuamente pensei.

A primeira mala passou e quando olho para a etiqueta que vinha na mala, reparo - Zurique. "Mas então?! As malas de Zurique já estão a chegar?! E as do meu voo?!" Olho em volta e vejo que a maioria das caras que vi no avião ainda ali estavam. Meto conversa com menina que estava ao meu lado à espera de bagagem e comentamos o curioso da situação. Ela vai ver o monitor e comenta que a indicação do nosso voo já desapareceu. "Então não temos direito a bagagem?! Ficou retida em Londres?! Será que é mais uma das que vai ser enviada para a Italia para ser processada?!"

Finalmente o cansaço devido à falta de informação e das malas instalou-se e foi contactado um dos funcionários da Ground-Force (só falhou por ter sido tão tarde). Que segundo as informações que tinha, o processamento de malas estava a decorrer sem problemas e não havia até ao momento nenhum atraso. A única coisa que poderia imaginar era que as malas tivessem ficado em Londres(?!) mas ia contactar o serviço a pedir informações.

Passado uns minutos veio a informação que as malas (todas, sem excepção) estavam ainda no avião. Ninguém se tinha lembrado de as descarregar. 1 Reclamação por escrito (só para ficar no registo) e alguns minutos depois lá apareceu a minha mala. Inteira.

Vistas a horas, eram 22:15. Pensava eu que a essa hora já estaria a jantar em casa depois dos beijinhos de saudades.

Enfim, queremos nós um aeroporto novo quando não damos conta do pequeno que temos. :S

janeiro 16, 2007

Chico-Espertismo ou Comportamentos Civis de Terceiro Mundo a quem aspira ao Primeiro - Parte I

De entre alguns dos grupos que populam o nosso povo, destaco alguns. Os que acham que temos a capacidade de ser o maior povo do mundo (mania das grandezas), os convencidos que somos a porcaria da terra (derrotistas), os que acham que somos uns pobrezinhos (coitadinhos), os que acreditam piamente que a culpa é dos americanos (Anti-Americanos) e o que acham que é castigo de Deus.

Cada um deles defende que o problema de Portugal tem uma origem bem distinta. O problema de Portugal nas suas várias vertentes (que não consigo sequer atingir a mais pequena parte) têm origem em nós próprios. Vejamos o pequeno exemplo do código da estrada.

Segundo me lembro (e não devo errar por muito), o código da estrada, estipula limites de velocidade para a circulação nos vários tipos de estradas. Mas quem o cumpre?! Ninguém (Eu incluído). É necessário que sejam criados radares de velocidade para inibir o comportamento típico dos condutores para estes cumprirem o estipulado no código. Porque esta dupla necessidade?!

Mais uma vez, se bem me lembro, o código diferencia a estrada - zona de circulação dos veículos automóveis - do vulgo "passeio" - zona de circulação dos peões (pedestres). Mas devo estar obviamente errado. Ou isso, ou no distrito de Lisboa existe uma excepção a esta regra do código. Isto porque os condutores Lisboetas (não vou generalizar, mas até podia) acham que os passeios são todos zonas de estacionamento privilegiado.

A razão por trás destes comportamentos (e de muitos outros nas mais variadas faces de Portugal) - acredito eu - além do comodismo que atravessa toda a sociedade (desde o funcionário público, ao primeiro-ministro e presidente da república, passando pelo trabalhador liberal ao por conta-de-outrem) é a nossa natural aversão às regras e a irresistível capacidade de não as cumprir. Nada sabe melhor que dizer à boca cheia no café em frente a amigos e desconhecidos que fui de Lisboa ao Algarve em 1h30m, que o carro nunca foi abaixo dos 150km/h, que conseguiu enganar o fisco, que não paga as multas. E nada sabe melhor que se sentir um herói porque o fazer!

Se forem consultados sobre porque o fazem, a resposta será: "A culpa é do estado"," do governo", "do partido X", "ou Y", "que o clube Z faz o mesmo.", "Burro seria não o fazer!", "Porque não ?! Todos o fazem"… e por aí fora. A principal razão, nunca apresentada é: "Faço-o porque não consigo cumprir regras nem gosto de reconhecer autoridade."

E a autoridade?! Perguntam vocês e bem. Essa não gosta de exercer a autoridade. Compreensivelmente, visto que e cada vez mais a tem menos. Quando a impõe, é o "ai meu Deus que me estão a agredir. Que estão a fazer uma caça às multas e estão a violar os meus direitos!! Que é uma caça às bruxas É o um complô" E o estado, outra figura de autoridade, o que faz?! Está mais preocupado com os interesses do partido que o rege no momento e age concordantemente. Protege os coitadinhos que "estão a ser agredidos" E assim se perpetuam comportamentos.

E, pelo que diz a história, este comportamento não é de hoje. Os romanos já o sabiam. Segundo rezam os registos, um romano ao estudar a região proferiu a seguinte conclusão: "Estranho povo este, Não se governa, nem se deixa governar". E com muita razão, por isso acho que pertenço a outro grupo. O do "Temos o que merecemos!!!"

Não me entendam mal, Eu sou um deles. Tenho alguns destes comportamentos. Embora moderado, sou um deles. Gosto muito do meu Portugal e por isso é que não me conformo com a nossa sina. Está nas nossas mãos mudar isto e andar com isto para a frente... se ao menos deixássemos de tentar ser mais espertos que os outros.

Já me sinto bem melhor…. Já posso retomar o trabalho. Não resolve mas desabafo…. E amanha faço o mesmo.

junho 14, 2006

Esperteza

Depois de algum tempo sem assunto nem vontade de escrever, retomo sem grande convicção a escrita. Deixo-vos com um artigo que li à minutos.
Não consegui evitar e pensar "Eram tugas. Aposto!" A fé em nós próprios já anda em baixo, mas conheçemo-nos tão bem que nos achamos capazes de tudo. Estou, quase de certeza, a ser injusto, porque quando emigramos até nos comportamos bem.

Faz bem saber que afinal não é só aqui que há chicos-espertos. A diferença é: "Lá são apanhados, cá são apoiados."

Verbas para vítimas do Katrina usadas em férias, mudança de sexo e bilhetes de futebol

Pelo menos 1,4 mil milhões de dólares destinados à assistência às vítimas dos furacões Katrina e Rita, que devastaram vários estados do sul dos Estados Unidos, serviram, entre outras coisas, para pagar férias no Havai, pelo menos uma operação de mudança de sexo e bilhetes de época para o futebol americano, concluiu uma comissão nomeada pelo Congresso norte-americano.

Entre as fraudes descobertas contam-se as histórias de uma alegada vítima que usava o endereço de um cemitério como morada e de uma pessoa que passou 70 dias num hotel do Havai. Os agentes do Gabinete de Contabilidade Governamental descobriram também um homem que usou o dinheiro destinado à assistência para mudar de sexo.

Entre alguns dos produtos comprados com o dinheiro da assistência estão artigos e vídeos eróticos e o pagamento de honorários a um advogado de Houston por um processo de divórcio.

O relatório sobre a aplicação dos fundos para assistência às vítimas do Katrina e do Rita, avançado pela agência noticiosa Associated Press, vai ser apresentado hoje no Congresso norte-americano.

in Publico