Não sendo uma das pessoas mais viajadas que conheço tenho tido, nos últimos dois anos, uma quota parte significativa de viagens de avião. No meu emprego anterior tive a sorte de fazer uma série de vezes à Alemanha em trabalho e no actual, durante os próximos meses, vou andar a viajar entre Lisboa e Londres todos os quinze dias. Estas viagens permitiram-me ver e experimentar algumas histórias que se passam dentro dos aeroportos. Algumas com piada outras nem tanto.
A última situação engraçada (agora, porque na altura não achei nenhuma piada) passou-se na última sexta-feira.
Tinha eu acabado de aterrar em Lisboa, vindo de Londres no voo da TP357 (se não estou em erro) da TAP que sai, supostamente às 18:20 de Heathrow. Coisa rara e nunca antes vista, fui a primeira pessoa a chegar aos guichet's e a quarta a ser atendida, visto que um casal que trazia um bébé de colo passou à frente. Pensei que devia estar a ser protegido por algum santinho. Era Milagre, só podia. Mas ainda faltava a parte mais demorada de todas, razão pela qual nunca me preocupo em me despachar mais rápido na validação de identidade, a recolha da bagagem.
Fui a primeira pessoa a chegar ao tapete, o casal andava à procura dum carrinho para transportar as malas e só chegou depois. Olhei para o ecrã do tapete onde a bagagem do meu voo iria sair que dizia qualquer coisa do género "TP375 Londres/Heathrow: Primeira Mala 21:15". Olhei para o relógio: "20:58". Com a minha mais pessimista previsão pensei. "Porreiro. Estou em casa às 22h." Dava 30 para a minha mala sair e 15mim para o taxi até casa. Tinha visto na aterragem que a 2º circular estava a andar bem (uma das pequenas vantagens do aeroporto estar no meio da cidade. Não sei se é contabilizada no estudo de conservação do aeroporto).
No ecra do tapete aparecia a mensagem a indicar que a bagagem do voo vindo de Zurique seria também sairia neste tabuleiro.
O tabuleiro estava parado, pelo que me sentei na beira e recomecei a ler o livro que vinha a ler no avião. Reparei na enorme quantidade de pessoas à espera para ser atendida no Balcão dos Perdidos e Achados da Ground-Force (empresa responsável por trazer e levar a bagagem dos e para aviões da TAP, entre outras companhias). Não sei porque mas achei que estava tudo normal apesar, e se calhar por isso mesmo, de ser sexta-feira 13.
Passada a hora da primeira mala, nenhuma mala ainda tinha aparecido. "Nada de estranho" pensei eu. "Estamos no aeroporto de Lisboa. Nunca nada parte/chega à hora planeada, nem as bagagens." Um pouco mais de tempo passou e o tabuleiro começou a andar. "Demorou mas aí vêm!" ingenuamente pensei.
A primeira mala passou e quando olho para a etiqueta que vinha na mala, reparo - Zurique. "Mas então?! As malas de Zurique já estão a chegar?! E as do meu voo?!" Olho em volta e vejo que a maioria das caras que vi no avião ainda ali estavam. Meto conversa com menina que estava ao meu lado à espera de bagagem e comentamos o curioso da situação. Ela vai ver o monitor e comenta que a indicação do nosso voo já desapareceu. "Então não temos direito a bagagem?! Ficou retida em Londres?! Será que é mais uma das que vai ser enviada para a Italia para ser processada?!"
Finalmente o cansaço devido à falta de informação e das malas instalou-se e foi contactado um dos funcionários da Ground-Force (só falhou por ter sido tão tarde). Que segundo as informações que tinha, o processamento de malas estava a decorrer sem problemas e não havia até ao momento nenhum atraso. A única coisa que poderia imaginar era que as malas tivessem ficado em Londres(?!) mas ia contactar o serviço a pedir informações.
Passado uns minutos veio a informação que as malas (todas, sem excepção) estavam ainda no avião. Ninguém se tinha lembrado de as descarregar. 1 Reclamação por escrito (só para ficar no registo) e alguns minutos depois lá apareceu a minha mala. Inteira.
Vistas a horas, eram 22:15. Pensava eu que a essa hora já estaria a jantar em casa depois dos beijinhos de saudades.
Enfim, queremos nós um aeroporto novo quando não damos conta do pequeno que temos. :S

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